Tiago 4

Fazer planos é arrogância?

Não. Tiago não condena o planejamento — condena planejar como se o amanhã fosse seu.

01. A frase que todo mundo diz

Tiago cita uma frase absolutamente normal: hoje ou amanhã iremos a tal cidade, passaremos um ano, negociaremos e teremos lucros.

Não há pecado evidente nela — nenhum roubo, nenhuma mentira. E é justamente por isso que o texto incomoda: o problema está no que a frase pressupõe em cada palavra. Quando ir, se ir, para onde, por quanto tempo, com que resultado — tudo tratado como decisão nossa e garantida.

02. Três crenças falsas

A resposta de Tiago desmonta a frase em três pontos: vocês não sabem o que acontecerá amanhã, e a vida é como neblina que aparece e se dissipa.

Ou seja: o futuro não é passível de conhecimento, não é controlável e não é perene. Você não sabe se sairá, se chegará, se ficará um ano ou um minuto, se negociará ou estará numa cama, se lucrará ou fracassará.

Vós não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece.

Tiago 4.14 · ACF

03. O nome do problema é arrogância

Tiago não chama aquilo de imprudência nem de otimismo ingênuo. Chama de jactância maligna.

E o que torna isso arrogância é preciso: é o fracasso em reconhecer a providência pervasiva de Deus e em colocar atitudes e palavras em sincronia com ela. A presunção de que, no cotidiano, o nosso querer e o nosso fazer são decisivos.

Mas agora vos gloriais nas vossas presunções; toda a glória tal como esta é maligna.

Tiago 4.16 · ACF

04. Nem agnóstico, nem fatalista

Um agnóstico assinaria embaixo do versículo 14: ninguém sabe o amanhã. Um fatalista também. Mas Tiago vira em outra direção no versículo 15.

A conclusão não é 'não sabemos nada' nem 'nada adianta'. É: se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo. O desconhecido do meu lado é conhecido e decidido do lado dele.

Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo.

Tiago 4.15 · ACF

05. Então planeje

A ordem de Tiago não é parar de planejar; é planejar dizendo aquilo — e querendo dizer. Paulo, no fim da vida, ainda planejava viajar para a Espanha.

Os sábios já diziam as duas metades juntas: o coração do homem traça o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos; muitos são os propósitos no coração do homem, mas o desígnio do Senhor permanecerá.

A alternativa a planejar não é frutificação acidental. É perambular sem fruto. O plano cristão é o plano humilde — inteiro, detalhado, e com 'se o Senhor quiser' dentro.

Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do SENHOR permanecerá.

Provérbios 19.21 · ACF

O que guardar

Fontes: Tiago 4.13-16; Provérbios 16.9; Provérbios 19.21; Romanos 15.24 (ACF). Confissão de Fé de Westminster V.2-3; Catecismo de Heidelberg 28. Tratamentos contemporâneos: Piper, Bridges.