A objeção de Paulo

Se a misericórdia depende só de Deus, isso não é injusto?

Paulo faz essa objeção antes de qualquer crítico. A resposta dele é sobre o que ninguém merece.

01. Paulo levanta a objeção primeiro

Depois de dizer que Deus tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer, Paulo antecipa a reação: então há injustiça em Deus? E depois: então por que ele ainda me culpa?

Ele não desvia. Mas também não responde reduzindo a soberania para caber no nosso senso de equilíbrio.

02. A chave: ninguém está no crédito

A objeção supõe que todos partem de um ponto neutro, e que Deus então escolhe arbitrariamente favorecer alguns.

A Escritura parte de outro lugar: todos estão em condição de merecer juízo. Se é assim, ninguém está sendo tratado com injustiça — alguns estão recebendo o que não é devido, e é exatamente isso que a palavra misericórdia significa.

Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer.

Romanos 9.15 · ACF

03. A pergunta invertida

Diante disso, a pergunta muda de direção. Não é 'por que Deus não teve misericórdia daquele?', mas 'por que teve de mim?'

Quem sente o peso da segunda pergunta entendeu o texto. Quem só sente a primeira ainda está calculando merecimento.

04. O que isso não autoriza

Não autoriza arrogância de quem se julga eleito, nem indiferença com quem está fora, nem frieza pastoral.

Se a misericórdia é imerecida, então quem a recebeu é a última pessoa no mundo com direito de olhar de cima para alguém.

O que guardar

Fontes: Romanos 9.14-24; Êxodo 33.19; Efésios 2.3; Confissão de Westminster III.7 (ACF).